Em pleno século XXI a identidade de gênero é   predominante na decisão da maioria dos jovens em seu futuro profissional. O condicionamento estrutural imposto pela sociedade faz com que maior porcentagem das meninas escolha profissões estereotipadas como atriz, estilista, professora entre outras. Já os meninos preferem profissões como jogador de futebol, bombeiro e construtores. Esses dados foram levantados a partir de uma pesquisa da ONG Liga da Educação, em Fuenlabrada, Madri. Segundo a UNESCO apenas 30% das universitárias escolhem carreiras relacionadas a ciência, tecnologia e matemática.

A desigualdade tradicional limita o desenvolvimento das habilidades e capacidade. O sistema patriarcal ao que fomos condicionados reflete em diversos aspectos da vida social e profissional. Um estudo feito pela Federação de mulheres Progressistas intitulado “Goleando Sem a Bola, Praticando Bonecas”,  mostrou que 50% dos 153 adolescentes entrevistados mudaram a opção de profissão quando lhes perguntaram  o que fariam se fossem do sexo oposto.

De acordo com o secretário-geral da ONU, António Guterres, que pede o fim das desigualdades de gênero, discriminação sistemática, falta de oportunidade de aprendizado e estereótipos sobre o que as meninas devem fazer com seu futuro e sua carreira são algumas das barreiras que impedem as adolescentes de alcançarem uma vida plena.

Recentemente a ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damaris Alves, apareceu em um vídeo afirmando que no país “ nova era começou: meninas vestem rosa e meninos vestem azul” declarou a ministra. Enaltecendo padrões antiquados de pensamento onde as escolhas de cores poderiam definir o gênero pessoal. Essa fala reverberou rapidamente nas redes sociais causando grande comoção da população. Artistas, formadores de opinião e a população em geral, se pronunciaram e fizeram campanhas contra esse pensamento. Afirmando que meninos e meninas devem vestir o que quiserem. Sem esta imposição de gênero retrograda, machista e sexista.

No século XIX, todas as crianças usavam vestido, pela facilidade para serem vestidas e até mesmo irem ao banheiro.  As cores eram sempre em tons pastéis. A moda das cores surgiu após a segunda guerra mundial. Um jornal publicou um artigo ditando a nova tendência. O rosa por ser forte e decidido deveria ser usado pelos homens. Já o azul pela delicadeza do tom deveria ser utilizado pelas mulheres. Essa teoria foi modificada no século XX com o conceito de igualdade de gênero. Algumas mães começaram a usar rosa em suas filhas para deixar claro que elas também eram fortes. A nova moda foi amplificada com o surgimento do ultrassom.

Clichês de gênero são um retrocesso em um mundo onde a empatia pode ser revolucionária. É necessário reavaliar questões e estar aberto as infinitas possibilidades que o mundo globalizado e sustentável tem a oferecer.  Seja livre em suas escolhas e se conecte nesta nova ECOera.

Fontes:  El País, ONU, Catraca Livre