Por Flávia Nicoletto

Quem disse que só de política vive Brasília está errado. Depois de alguns anos afastada da cidade, estudando e trabalhando na área de marketing de moda, voltei e percebi uma cena totalmente diferente, feiras, eventos, lugares incríveis e principalmente a moda, como ela vem surgindo e tomando forma diante do mercado brasiliense.

Já faz alguns anos que venho buscando marcas sustentáveis, já conhecia algumas pela região devido ao meu trabalho com o Consumo Verde, mas foi em um bate-papo em um coworking que conheci realmente os criadores da Bruma: o Bruno e a Marcela, que criaram a marca em em 2017 com a ideia de sair do óbvio do que já existia, da produção em larga escala e sem preocupação alguma com o meio ambiente.
Marcela é formada em Design de Moda e Relações Internacionais, e Bruno é formado em Publicidade e Propaganda e é fotógrafo por profissão (acho que já temos a combinação perfeita, não é mesmo?). Ahhhhh… e não ache (como eu) que o nome da Bruma é Bruno+Marcela. Na verdade, ele vem de “névoa”, uma parte do ciclo da água, com início, meio e fim, representando a troca equilibrada. Mas, no final das contas, também não existe Bruma sem Bruno ou sem Marcela. Tudo se complementa.

E foi assim que fui conhecer melhor a história da marca, na barbearia Fio Maravilha, onde fica o Box Bruma, a loja física aqui em Brasília. (Você também pode encontrar os produtos no site vistabruma.com, e acompanhá-los nas redes sociais @vistabruma para o Instagram e /vistabruma para o Facebook). Conversei com a Marcela, que me contou como surgiu, em 2016, a ideia da criação da marca. Na tentativa de comprar roupa para o Bruno no shopping e não encontrar nada legal, tiveram a ideia de começar a pesquisar em como criar uma marca maneira, mas que tivesse um propósito e focado no masculino.
Esse foi o primeiro esboço do que viria ser a Bruma. Entendendo melhor como o mundo da moda funcionava, e sabendo que não era aquilo que eles gostariam de fazer parte, Bruno e Marcela resolveram ir além. Depois de muitas pesquisas e estudos, perceberam que a sustentabilidade é o único caminho para novas ideias.

O box da Bruma

Todas as peças foram desenvolvidas e pensadas em utilizar matéria-prima ecológica, as camisas e camisetas feitas de algodão reciclado e garrafa pet formam o DNA do produto. Além disso, todos os botões utilizados nas camisas são ecológicos. É uma marca slow, com uma única costureira-chefe – a Val – que coloca a mão na massa junto com a Marcela e desenvolvem todas as peças no ateliê na parte de costura e modelagem. Já com o Bruno fazem os processos de criação dos produtos, fotos, divulgação e todas as outras vertentes que uma empresa precisa ter. Pensando em não gerar lixo na entrega do produto, a TAG deles é feita de MDF e é retornável em forma de desconto e a embalagem é somente a ecobag, criando um ciclo para a marca.

A Bruma só trabalha com peças atemporais e sem criações constantes de novas coleções. Não temos como intitulá-los como sem gênero porque a base da modelagem deles é masculina, mas hoje em dia não tem disso, não é mesmo? Tanto que eles já vendem também para o público feminino. \o/

A primeira ideia do que chamamos de “coleção” se chama Cerrado (quer mais brasiliense que isso?), trabalharam com 12 peças diferentes, mas agora com tudo que estão criando, e pensando na sustentabilidade, estão com uma nova concepção de lançar peças com nomes carregados de conceito, saindo do óbvio da coleção, como o casaco Belchior dupla face que acabou de ser lançado. Também estão com parceira com a Braveman e utilizam todas as sobras de couro da fabricação deles para colocar nas peças desenvolvidas na collab. A principal vertente da Bruma é a sustentabilidade, um produto com alta qualidade e durabilidade, carregado de conceito, trabalho digno e slow. Vivem em constante mudança, buscando por melhores recursos e práticas para com o meio ambiente. Dessa forma, Bruno e Marcela vivem um novo ciclo a cada nova ideia, como o próprio nome da marca significa.