A Vert Shoes, dos amigos François-Ghislain Morillion e Sébastien Kopp, é um ótimo exemplo de agente de transformação, como sempre falamos por aqui. A marca nasceu com um propósito diferente: o de transmitir valor. Por isso, procura respeitar em sua cadeia produtiva a natureza e o ser humano.

Eles conheceram a produção da borracha nativa da Amazônia com a tecnologia da FDL (folha defumada líquida). Um processo que prepara a borracha ainda dentro da floresta, sem químicos e sem a necessidade de intermediários, o que permite uma melhor remuneração aos seringueiros. Todas as solas dos tênis Vert são feitos com essa borracha. Para completar, uma cooperativa de pequenos agricultores familiares de algodão agroecológico, no nordeste, é responsável pelas lonas dos cabedais dos calçados.

Todo esse trabalho de pesquisa e valorização de produtos que sejam feitos localmente, e com mínimo impacto no meio ambiente, rendeu o Prêmio ECOERA à Vert Shoes em 2016.

Uma breve história

Desde os anos 60, o uso generalizado da borracha sintética, derivada da indústria do petróleo, fez cair o preço da borracha natural. Com isso, os habitantes da Floresta Amazônica dedicaram-se a atividades mais rentáveis, como a criação de gado bovino e a venda de madeira. As árvores são derrubadas e as terras, originalmente protegidas pela vegetação, desertificam-se.

A sobrevivência da Amazônia depende da exploração sustentável de seus recursos. O látex extraído das seringueiras faz parte desses recursos. O pagamento do preço justo pela borracha melhora a renda dos seringueiros e age como um freio no desmatamento.

Borracha Nativa

A Amazônia é o único lugar no mundo onde as seringueiras (árvores fontes da borracha) crescem em estado selvagem.

Para as solas dos tênis Vert, a borracha vem diretamente de três associações de seringueiros na Amazônia, pagando um preço diferenciado pelo látex.

O processo FDL, Folha Defumada Líquida, foi desenvolvido na Universidade de Brasília pelo professor Floriano Pastore (link). Ele permite que os produtores transformem o látex em folhas de borracha que são enviadas diretamente para a fábrica para moldar as solas. Esta tecnologia permite que os seringueiros vendam um produto semi-acabado e que recebam uma melhor remuneração.

Desde 2007, a produção dos seringueiros é acompanhado e apoiado pela ecologista brasileira Bia Saldanha.

Conheça a Vert Shoes – www.vert-shoes.com.br