*WWF Brasil

Esse relatório, publicado a cada dois anos, revela um grau impressionante de impacto humano no planeta. A forma como alimentamos, abastecemos e financiamos nossa sociedade está levando a natureza e os benefícios que ela nos fornece ao limite. Um dos indicadores usados no relatório indica que as populações de peixes, aves, mamíferos, anfíbios e répteis diminuíram em média 60% entre 1970 e 2014. As principais ameaças às espécies identificadas no relatório estão diretamente ligadas às atividades humanas, incluindo perda e degradação de habitats e exploração excessiva da vida selvagem.


E o Brasil? Estamos na região que mais sofre com a perda de biodiversidade. A estimativa é que desde a década de 1970 o tamanho das populações das espécies que habitam as Américas do Sul e Central tenham sido reduzidas em 89%. Neste mesmo período, 20% da Amazônia desapareceu. Especialistas indicam que, com um desmatamento acima de 25%, este ecossistema chegará ao “ponto de não retorno” para entrar em colapso, deixando de ser uma floresta.


O documento mostra a oportunidade que a população mundial tem de proteger e restaurar a natureza até 2020, um ano crítico em que os líderes devem rever o progresso alcançado nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, no Acordo de Paris e na Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB). A natureza consegue se recuperar de forma impressionante. O que precisamos fazer é dar uma chance pra isso acontecer.

As ameaças às espécies estão presentes em vários biomas brasileiros. A Jandaia-amarela (Aratinga solstitialis), o Tatu-bola (Tolipeutes tricinctus), o Muriqui-do-sul (Brachyteles aracnoides) e o Uacari (Cacajao hosomi) são exemplos de espécies em perigo de extinção em função da perda de seu ambiente natural. O Boto (Inia geoffrensis) é uma espécie em perigo de extinção devido à tendência de redução populacional no futuro, em função da degradação de seu ambiente.

O Relatório Planeta Vivo 2018 também aborda a importância e o valor da natureza para o bem-estar social e econômico global. Além de ajudar a garantir o fornecimento de ar fresco, água potável, alimentos, energia, medicamentos e outros recursos, estima-se que a natureza forneça ao mundo serviços da ordem de 125 trilhões de dólares a cada ano.

“Tudo está diretamente conectado. Dos insetos e pássaros que polinizam as lavouras que nos alimentam, passando pelo suprimento de água limpa da qual dependem todas as nossas atividades até o ar que respiramos a cada segundo. A proteção das florestas, dos recursos hídricos, da biodiversidade é também a proteção das pessoas e da nossa sociedade. Comprometer o meio ambiente é comprometer o nosso futuro”, afirma Mauricio Voivodic, diretor-executivo do WWF-Brasil.

Isso pode mudar
Embora o cenário apresentado no relatório mostre uma realidade aterradora, existe esperança. A natureza possui capacidade de regeneração, mas para reverter a situação atual será preciso muito trabalho e mudanças significativas na forma como nos relacionamos com o meio ambiente.

Em agosto deste ano, por exemplo, após mais de dez anos de ações de preservação e conscientização, pesquisadores do Parque Nacional do Iguaçu comemoraram o aumento de 30% na quantidade de Onças Pintadas (Panthera onca) na região do Parque Nacional do Iguaçu. Caso parecido é o das Baleias Jubarte (Megaptera novaeangliae) que já chegaram à beira da extinção por conta da pesca e hoje voltaram às dezenas de milhares.

O Brasil tem um papel decisivo na redução da degradação ambiental, com mais de 60% de seu território coberto por vegetação natural e com uma posição extremamente importante na produção de alimentos para o mundo, precisamos conciliar estas duas realidades. Estudos mostram que podemos atender as expectativas futuras de produção de alimentos sem derrubar mais nenhuma árvore. Temos 50 milhões de hectares de pastagens degradadas, áreas subutilizadas, perdendo solo, contaminando rios e emitindo mais gases do efeito estufa, que podem ser reabilitadas para a produção, evitando-se mais desmatamento e a consequente perda de biodiversidade e emissões de gases do efeito estufa.

O Relatório Planeta Vivo 2018 destaca a oportunidade que a comunidade global tem de proteger e restaurar a natureza até 2020, um ano crítico em que os líderes devem medir o progresso alcançado na Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e no Acordo de Paris..

O Capítulo 4 do relatório é inspirado em um artigo científico intitulado “Mirando mais alto para dobrar a curva da perda de biodiversidade”, que sugere um roteiro para as metas, indicadores e métricas que os 196 Estados membros da CDB poderiam considerar para entregar um acordo global urgente, ambicioso e eficaz para a natureza (como o mundo fez pelo clima em Paris), quando se reunir na 14ª Conferência das Partes da CDB no Egito, em novembro deste ano.

“As estatísticas são assustadoras, mas nem tudo está perdido. Temos a oportunidade de projetar um novo caminho que nos permita coexistir de forma sustentável com a natureza da qual dependemos. Nosso relatório estabelece uma agenda ambiciosa para a mudança. Vamos precisar da sua ajuda para alcançá-lo”, disse o Prof. Ken Norris, Diretor de Ciências da ZSL.

 

foto: Juergen Freund/wwf