Quem gosta de planta e mora em cidade sofre para conseguir cultivá-las. Tudo conspira contra, desde a falta de tempo até a falta de espaço. Para aqueles, que como eu, residem em apartamento, o desafio é ainda maior. A falta de planejamento da nossa urbanização não ajudou muito os prédios a receberem sol, amontoados em bairros adensados, e são raras as varandas que recebem uma quantidade mínima adequada ao bom desenvolvimento da maioria das espécies.

Mas nem tudo está perdido. Depois de alguns anos de pesquisas e testes descobri espécies que sobrevivem bem em vaso e meia-sombra de varanda, e dentre elas, algumas frutíferas da Mata Atlântica, que com um pouco de cuidados produzem bem e atraem pássaros e polinizadores. Seguem elas:

 

Cabeludinha ou jabuticaba-amarela (Plinia glomerata)

Arbusto que vive até 100 anos de idade, produz deliciosas jabuticabas amarelas de casca aveludada (daí o nome popular). Ao morder a fruta, ela faz um “ploc” na boca e é muito suculenta.

 

     

 

 

Araçá amarelo (Psidum cattleianum)

Uma goiaba silvestre de sabor delicado e agradável, assim é o araçá amarelo. A árvore é também muito bonita.

 

 

 

 

 

Pitanga (Eugenia uniflora)

Costuma ficar carregada quando bem cuidada, para a alegria da passarada.

 

 

 

Jabuticaba (Plinia cauliflora)

Essa fruta – que alguns dizem ser a melhor do Brasil – produz bem em vaso, principalmente em terra bem adubada, arejada e com bastante água.

 

 

 

Bacupari (Garcinia gardneriana)

Fruta deliciosa, típica da sombra na floresta da Mata Atlântica.

 

 

 

 

 

Dicas: para o cultivo, recomendo um substrato bem adubado a base de turfa, em vaso com no mínimo 100 litros de capacidade e adubação orgânica ou mineral a cada 3 meses, além de manter a planta sempre úmida. É também bom evitar vento direto e colocar em um local que ocorram pelo menos um mínimo de 3 horas diárias de sol. As 5 espécies citadas são facilmente encontradas em grandes lojas de jardinagem e também nos Ceasas. Outra possibilidade é encomendar na floricultura do seu bairro, eles costumam atender.

Boa produção!

 

 

Ricardo Cardim é mestre em botânica pela USP, diretor da Cardim Arquitetura Paisagística e idealizador das Florestas de Bolso para o retorno da mata atlântica no meio urbano.

 

 

 

 

 

 

Photo capa credit: pedro.bezerra24@gmail.com VisualHunt