Por Paulina Chamorro

Começou nesta quinta-feira em Turim, na Itália, a 12º Salone del Gusto – Tierra Madre 2018. Este é o maior evento mundial para discutir a cultura do alimento!

Mais de sete mil delegados de 150 países e 100 expositores estão reunidos para discutir solo, clima, direitos ao uso da terra, alimentação saudável, agricultura familiar e muito  mais!

Estou por aqui para acompanhar as principais discussões e contar pelo Portal ECOERA.

Mulheres, indígenas, jovens e migrantes tem uma espaço especial nesta edição.

Já logo no primeiro dia temos informações importantes para entender que falar de alimento é falar de absolutamente tudo. Clima, água, solo, direitos passam por aqui. E as conversas tem um norte: Alimento pela mudança. Aliás, esta é a #, onde se pode acompanhar as discussões.
Outra  novidade é desta edição é a divisão por cinco áreas temáticas: Slow Meat, Slow Fish, Sementes, Alimentação e Saúde, Abelhas e Insetos. Para cada tema há palestras, workshops e escolas de cozinha.

Para distribuir tantos temas importantes e segmentos, o evento está dividido em dois pavilhões em Lingotto Turim, e também alguns eventos paralelos na região histórica da cidade.

Pela amanhã do primeiro dia estive acompanhando  na ARENA, no espaço dedicado  as discussões para jovens, migrantes e povos tradicionais. Após uma abertura linda com 3 povos tradicionais abençoando o evento com 3 cerimonias diferentes, alguns dados importantes foram apresentados. Giorgio Marraponi, diretor-geral da cooperação  para o desenvolvimento  do Ministerio de Relações Exteriores da Italia ressaltou a importancia da agricultura familiar para a questão das mudanças climáticas. Complementou que recuperar 1 hectare custa em media 120 dólares e que grandes territórios no continente africano e em Israel se beneficiariam com investimentos no sentido da recuperação. De acordo com Marraponi, métodos antigos da agricultura familiar contribuem inclusive com a captura de carbono, consequentemente impactando de forma positiva na mitigação do aquecimento global.

Também conversei com Margarita Astralaga, diretora do Fundo Internacional para o Desenvolvimento da Agricultura . Falamos sobre a importancia de fortalecer as mulheres produtoras no campo. Leia a entrevista abaixo.

Muitas emoções ainda prometem por aqui.  Mas algo  é fundamental: no portal ECOERA acreditamos no impacto positivo. Em como cada um de nós podemos fazer melhor, fazer o certo com o Planeta e pensar em sistemas produtivos benéficos.

Nos acompanhe!

————–

 

Margarita Astralaga, diretora no Fundo Internacional para o Desenvolvimento da Agricultura- 

Qual é o principal Objetivo  do Fundo ?

Para nós o mais importante é apoiar os pequenos agricultores,  e quando falo disso  me refiro a homens, mulheres e jovens que querem trabalhar na agricultura, mas também grupos indígenas e aqueles que estão em situações muitos vulneráveis nos países. Nosso trabalho  é aumentar a produção agrícola, mas uma produção sustentável, assegurando uma diversidade de produtos, uma diversidade de sementes que tragam beneficios para todos  e também para o Planeta.

Como as mulheres podem contribuir para isso?

As mulheres são  chave.  São as mulheres que cozinham na maioria dos países em desenvolvimento onde temos desnutrição, e elas podem – ou deveriam poder decidir- que tipo de alimento vão consumir. O que tentamos fazer é que elas produzam seus próprios alimentos para que  possamos fortalecer a variedade de alimento. Nosso trabalho implica em, não apenas defender que 50% dos nossos beneficiarios sejam mulheres, mas também assegurarmos  que exista uma transformação: a habilidade delas de tomar decisões, de ter acesso aos mercados e de ter acesso ao credito, e de que elas possam ser donas da terra.

Nos países em desenvolvimento praticamente 80% de tudo o que se consome vem de pequenos agricultores.

 

Foto destaque : @vsualhunt