A crise climática vira destaque durante a grande Semana de Moda de Londres.

Assim como na Semana de Moda de Nova York, a London Fashion Week também tem seus desfiles norteados por ativismos e protestos quanto às condições de produção presentes na indústria fashion.

O setor, que tem sido alvo de questionamentos importantes sobre seus processos produtivos – incluindo cada elo dessa enorme cadeia, chega à um momento de emergência para entregar possíveis respostas e indicar transformações que sejam capazes de gerar impacto positivo.

Ativismo em prol de uma moda mais responsável:

Entre os destaques, está o grupo ativista Extinction Rebellion, nascido no Reino Unido em 2018 – a favor de transformações e movimentos para conter as gravíssimas mudanças climáticas.

O movimento esteve presente durante os dias do evento, causando “barulho” e provocando confusão entre alguns motoristas que passavam pelo local ao soltarem chamas de fumaça colorida no ar e bloquearem as vias de acesso – no centro de Londres, próximas ao local dos desfiles. Alguns deles usavam máscaras de gás e roupas feitas de correntes. Também era possível ver vários ativistas segurando cartazes com a fala: “Sem moda em um planeta morto”. Todos protestando para que o Conselho de Moda Britânico tome mais medidas para fazer lobby por políticas ambientais.

Em 2019, o Extinction Rebellion também esteve presente e manifestando sobre a indústria da moda. Vestindo roupas brancas, manchadas em vermelho.

A Semana de Moda de Londres tem se posicionado alegando também ter interesse para que o evento aconteça de forma mais sustentável. Para essa temporada, a semana apresentou uma exposição chamada Moda Positiva e uma “loja de troca”, onde os visitantes podiam trocar roupas usadas por itens doados.

Para o espaço Moda Positiva, novas marcas e projetos tendo como foco central, a sustentabilidade, o artesanato e a ética em seus processo.

Já o espaço de trocas, foi todo direcionado para possibilitar a troca por itens já sem uso em plena Semana de Moda ganhou destaque na grande mídia. Uma iniciativa bastante relevante quando falamos sobre repensar processos.

Entre as peças doadas para a tal loja, estavam: roupas e acessórios da ativista de moda sustentável Livia Firth e de Sarah Mower, crítica e embaixadora do British Fashion Council (BFC).

Segundo Lynne Franks, uma das fundadoras da semana de moda, “A  hora de mudar é agora! Estamos em um mundo diferente e que exige mudanças e ações drásticas!”

Questionamentos como, a quantidade de peças novas produzidas a cada novo ano, também se fazem presentes quando a discussão é sobre impactos. Segundo Patrick Duffy, que também é um dos organizadores do evento e fundador da consultoria Global Fashion Exchange, cerca de 150 bilhões de novas peças de vestuário são fabricadas a cada ano! E destaca que muito mais é enviado para aterros – uma estimativa de 300.000 toneladas por ano, somente na Grã-Bretanha.

“E isso está crescendo a cada ano. Temos que lembrar o impacto social ambiental disso. ” Patrick Duffy.

Para Duffy, as Semanas de Moda podem ser importantes para gerar mudanças e transformações. Podendo ser grandes agentes de mudança e edução.

“Não deveria ser vergonhoso comprar algo novo”, disse ele. “Mas devemos educar as pessoas sobre o processo por trás de suas roupas. Se as pessoas soubessem o que estavam comprando, como fazem com a comida, seria muito diferente. ”

Movimentos presentes na passarela:

Além de protestos e ativismos na rua, também foi possível ver marcas reconhecidas do mercado, desfilarem coleções de menor impacto. 

Tommy Hilfiger

A marca americana mundialmente conhecida, tem um dos maiores faturamentos e sempre entendeu muito bem sobre posicionamento e negócios, também já esteve presente no palco de diversas discussões. Hilfiger sabe que o mercado de moda está passando por transformações rápidas e importantes e que, se não direcionar esforços para atender essa demanda, ficará para trás.

“Acho que, como indústria, devemos fazer a coisa certa para a sociedade. E eu realmente acredito que fazer reciclagem e reciclar, fabricar tecidos de plástico reciclado e limpar os oceanos, é nosso dever para o mundo e para nós mesmos! Sustentabilidade é algo que toda marca precisa abraçar. Porque em dois a três anos, se uma marca não for sustentável, estará fora do negócio. ” 

A marca trouxe a sustentabilidade como grande destaque para sua coleção. Produziu mais de 75% dos looks de Verão 2020 a partir de materiais de fontes sustentáveis, como o algodão 100% orgânico ou reciclado, além de “couro vegano” e lavagens de jeans de baixo impacto ambiental.

Mulberry

A marca de bolsas apresentou uma coleção de  “bolsa de couro sustentável” , cujos lucros estão sendo doados ao World Land Trust.  O modelo Portobello Tote, custa cerca de US $ 795 e foi produzida em fábricas com neutras emissões de carbono.Todas as operações da Mulberry no Reino Unido se tornaram neutras em C02 desde 2019. A expectativa é que isso se torne mundial até 2025.

Preen

Upcycling na passarela! A marca trouxe peças criadas à partir de outras já existentes e em produção limitada. Mostrando a importância de rever seus estoques e todas as possibilidades em fazer uso de matéria prima já existente.

Na temporada, 50% dos tecidos utilizados ​​são reciclados, incluindo broches, sobras de tecidos, lãs recicladas e algodão excedente do exército.

Diversas outras marcas e iniciativas marcaram presença nesse, que é um dos momentos mais importantes para a moda. O momento de de abrir agendas e criar estratégias bem fundamentadas para iniciar ações efetivas e de grande impacto positivo.

Foto: Divulgação | London Fashion Week | Extinction Rebellion

Fonte: London Fashion Week | Extinction Rebellion | Forbes | The Guardian