Chiara Gadaleta, fundadora do Movimento Ecoera, assina semanalmente uma coluna na Harper’s Bazaar Brasil.

Acompanhe na íntegra a coluna mais recente.

 

DESPERDÍCIO NA MODA

No mundo pré-pandemia, um bom planejamento de estoque sempre foi um ponto importante para empresas preocupadas com a sustentabilidade ambiental

O calendário da moda tem sofrido alterações desde a chegada da pandemia. Além dos eventos migrarem para plataformas digitais, as marcas se depararam com uma questão que vem modificando o lançamento das coleções nos pontos de vendas físicos e/ou online no mundo todo: estoques sobrecarregados.

No mundo pré-pandemia, um bom planejamento de estoque sempre foi um ponto importante para empresas preocupadas com a sustentabilidade ambiental, visto que a discussão sobre a obsolescência programada na moda e os excessos de produção e uso de recursos naturais vinham cada vez mais calorosos; e econômicos, já que o valor investido em coleções paradas não significa lucro.

Algumas empresas possuem um modelo de negócio ancorado no conceito de zero waste – desperdício zero- e só produzem o que será realmente vendido. Este é o caso da Damyller, que recentemente lançou o programa #damyllerpelofuturo e que vem apostando em um formato de compra sob demanda, uma das formas de reduzir descartes e otimizar as matérias-primas. Em tempos de pandemia, a empresa teve que adequar seus estoques e diminuir seus pedidos devido à diminuição das jornadas de trabalho de seus colaboradores sem perder seu compromisso com a qualidade de suas coleções. “Acreditamos que a pandemia acabou abrindo espaço para otimizar e acelerar os processos em prol de práticas sustentáveis em todos os aspectos. Na Damyller, estamos dando continuidade a um trabalho que começou há bastante tempo e não tem data para acabar”, aponta Pedro Eduardo Daminelli, gerente de sustentabilidade da Damyller.

Para a YD Confecções, que na pré-pandemia produzia cerca de 350 mil peças de roupas por mês, a criatividade e a colaboração são mandatórias nesse momento. “Nosso estoque de produto acabado, de tecidos e aviamentos, aumentou consideravelmente e estamos buscando soluções com foco na reciclagem e reaproveitamento. No nosso entendimento, essa é uma oportunidade de fazermos boas parcerias, boas para nossa empresa, para o setor da moda nacional e para o planeta”, afirma Renata, uma das proprietárias.

Além das roupas ficarem paradas, as peças acabam ficando fora de estação e, no hemisfério Norte, marcas vêm buscando soluções que possam ajudar a quem precisa. Segundo o site da Barron’s, a marca italiana Brunello Cucinelli optou por fazer doações e as peças que não foram vendidas devido ao fechamento das lojas durante a crise da Covid-19 serão rotuladas como “Brunello Cucinelli for Humanity” e distribuídas a uma rede de parceiros.

Seguindo a mesma linha, a Prada anunciou que vai leiloar looks de seus desfiles masculinos e femininos de outono/inverno 2020 para beneficiar projetos educacionais da Unesco. O leilão será realizado dia 2 de outubro pela Sotheby’s.

Vamos juntos em prol de uma moda mais saudável, sustentável e solidária!

Bjs,

Chiara