A Renata Monte Alegre tem 48 anos e um marido e um filho de 19 anos. É jornalista, deixou a vida corporativa há 10 anos para se recuperar de um aneurisma. Nessa curiosidade pela vida, acabou conhecendo o plogging, uma nova tendência criada na Suécia por um ambientalista e corredor sueco, que usou a mistura do seu idioma com o inglês para batizá-lo: “plocka” (recolher) e “jogging”(correr). Então, plogging é recolher o lixo que encontrar no caminho, durante uma atividade física.

Veja aqui o depoimento da Renata, sobre como ela começou e como é praticar o plogging. Um ótimo exemplo de como é fácil fazer nossa parte pelo planeta!

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Conheci o plogging totalmente por acaso. Diria até que foi o plogging q me achou! Rsrs. Eu corro regularmente no parque Ibirapuera e sempre me deparava com o lixo deixado pelos visitantes pelo chão, principalmente no início da semana, depois do Ibira ficar lotado no fim de semana. Mas até aí, nenhuma novidade. Infelizmente, já nos acostumamos a conviver com lixo fora do lugar…

Passei a ficar realmente incomodada quando comecei a perceber q parte daquele lixo era formada por embalagens de gel de carboidrato que os atletas costumam consumir durante corridas de longa duração… Algumas inclusive importadas, que não saem por menos de R$ 15 por aqui. Ou seja, era minha própria tribo emporcalhando um lugar que não apenas dizemos q gostamos tanto, mas q no mínimo devíamos respeitar, por nos trazer tantos benefícios.

Enfim, comecei a recolher essas embalagens do chão do bebedouro e levá-las para uma lixeira (que fica a apenas 10 metros de distância, diga-se de passagem, ou 0,1% do que provavelmente aquela criatura correu dentro do parque, naquele dia) mas não sem antes registrar tudo com uma fotinho mal-humorada no instagram…

Repeti esse movimento algumas vezes (o suficiente para perceber q o pior dia desse lixo “fitness” é a sexta-feira, quando o volume de corredores no parque aumenta), quando tropecei na internet com um post contando sobre uma nova tendência criada na Suécia por um ambientalista e corredor sueco, que usou a mistura da sua língua natal com o inglês para batizá-lo: “plocka” (recolher) e “jogging”(correr). Simples assim, o plogging consiste em levar consigo o lixo que encontrar no caminho, durante uma atividade física (seja corrida, caminhada, bike, qualquer uma). Então sem saber, e de uma forma totalmente instintiva, descobri que era plogging o que eu fazia!

E que absolutamente eu não estava nessa sozinha nessa! Depois de uma breve pesquisa, descobri que rapidamente a ideia deixou a Suécia e vem se espalhando pelo mundo. Nas redes sociais, cada vez mais adeptos compartilham suas experiências por meio da hashtag #plogging. Hoje é fácil encontrar referência ao movimento em vários países da Europa e Ásia, além dos Estados Unidos e Canadá. Na Suécia, em 2017, foram realizados mais de 100 eventos marcados por meio das redes sociais e totalmente dedicados ao plogging. Essa sim, é a minha tribo!

No Brasil, apesar de a prática ainda não estar muito difundida (nunca encontrei outros ploggers no Ibirapuera, por exemplo), os benefícios do plogging são indiscutíveis e muito benvindos. De minha parte, continuo recolhendo as embalagens que acho pelo chão do Ibira sempre que treino por lá. Uso o plogging como uma espécie de desaceleração pós-treino, e levo um saco plástico vazio preso ao cinto, para acondicionar o resíduo recolhido antes de fazer a fotinho pro post no insta e jogar tudo na lixeira. A sensação é muito boa, posso garantir: o plogging é uma maneira de fazer o bem, de se sentir bem e de se divertir, tudo ao mesmo tempo!

Eu percebo que as pessoas ainda estranham ver alguém que passa recolhendo o lixo do chão. Ainda mais quando essa pessoa claramente não faz parte da equipe de limpeza do parque nem é um catador de lixo. Durante o plogging, já me perguntaram se eu estava procurando alguma coisa (a esperança, talvez rsrsrs) ou se eu não tinha nojo de catar lixo (mais nojo eu tinha de não fazer nada, garanto!).

Mas acho que tudo isso é uma curiosidade que pode ser facilmente transformada em interesse… E disso pra participação e engajamento, vai ser um pulo! Está sendo exatamente assim em outros países. Com certeza, podemos ampliar a tribo de ploggers por aqui também!

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Conheça o instagram da Renata Monte Alegre, onde ela promove o plogging: www.instagram.com/coisapakka